quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Nas asas do violino: Miquéias Haluen vai à escola Francisco Augusto Bacurau.




“Sem a música, a vida seria um erro”
Friedrich Nietzsche

Em 09 de Dezembro do corrente ano, a convite do professor Gregório Dantas Mendes, o músico Miquéias Haluen fez uma participação especial na aula de artes no 3º ano, turma 106, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Francisco Augusto Bacurau. Já no pátio da escola, momento em que todos os alunos se reúnem para cantar o Hino Nacional, o músico Miquéias tocou sua a melodia no violino, seguido do Hino Acriano, momento que chamou a atenção de aproximadamente 200 alunos, sem contar com professores e funcionários.

Na sala de aula, os alunos já se encontravam eufóricos, pois mal podiam esperar para ouvir e saber mais sobre o instrumento que ouviram no pátio. Primeiramente fez-se a apresentação do músico convidado, o qual ministraria uma pequena aula sobre música e sobre o violino (seu instrumento).

Miquéias Haluen é filho da terra, do nosso Acre. Primogênito de uma família de quatro irmãos, nascido e criado no bairro do Taquari, iniciou seus estudos de violino aos 8 anos de idade na ONG Musicalizar. Aos 17 anos foi descoberto pela Dra. Glesse Collet que o levou para estudar música em Brasília, na UnB, onde junto a Orquestra de Cordas, gravou CD na Alemanha (Hochschule Für Musik Karlsruhe). Em 2005, foi apresentado à violinista búlgara Evgenia Maria Popova, que encantada com o talento, buscou junto ao Governo do Estado do Acre uma bolsa que possibilitou sua especialização em Sofia, na Bulgária (Academia Nacional Pancho Vladigerov). Atuou na Orquestra de Câmara do Estado do Mato Grosso e na Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. Atualmente apresenta-se em inúmeros espetáculos na cidade de Rio Branco, além de ser professor na Escola de Música e Orquestra Filarmônica Musicalizar e na Escola Acreana de Música.

Após a apresentação de seu currículo, Miquéias, sempre buscando a interação com a turma, apresentou brevemente a história do violino, momento em que os alunos ficaram sabendo que o instrumento, na sua forma atual, fora consolidado há aproximadamente 500 anos, na Itália. Em seguida, foi proposto pelo palestrante que cada aluno fizesse uma pergunta sobre qualquer parte do violino. O aluno, por sua vez, apontava para uma parte específica e perguntava como era seu nome e para que serviria. Todas as perguntas foram respondidas prontamente, com dinamismo e clareza.

O que deixou as crianças impressionadas foi saber que a parte do arco do violino que entra em contato com as cordas é feita da crina do cavalo, e por isso é chamada de crina. Curioso também foi saber que antigamente, na época da criação do violino, as cordas eram feitas de tripas de carneiro - não só o violino, mas praticamente todos os instrumentos de corda um dia se utilizaram de tripas de algum animal.

Terminada a exposição sobre o violino, Miquéias presenteou a turma com uma pequena apresentação de seu repertório, que incluía músicas clássicas/eruditas, músicas natalinas e uma popular, executada com a participação do professor da turma, Gregório Dantas Mendes, que tocou violão - a música em questão foi Eleonor Ribgy, do grupo inglês Beatles, uma canção que aborda a solidão do homem contemporâneo.

Terminada a aula musical, após o intervalo, os alunos - agora invertendo os papéis - ensinaram a Miquéias a arte do origami (arte que consiste em dar formas ao papel dobrando-o). Assim, o convidado especial ficou sabendo como fazer um cisne, um coelho, uma cigarra e uma estrala, tudo isso apenas dobrando o papel – no caso da estrela, dobra-se e corta-se, e como num passe de mágica, tem-se uma estrela.

O sucesso do encontro foi tão grande que a coordenadora pedagógica Rosângela convidou o ilustre músico a participar de encerramento das aulas, que se realizará no dia 14 de Dezembro, num evento em que todas as turmas se apresentarão com algum trabalho artístico, finalizando o ano de 2011 com chave de ouro, ou com a clave de sol...

A importância da música na formação humana não se discute, é lei. O Brasil deu importante passo para o desenvolvimento pleno de seu cidadão ao prescrever a obrigatoriedade do ensino de música no Ensino Básico. Superamos então a discussão, se é ou não é importante o ensino de música. O fato é que ele, o ensino de música, sempre foi e sempre será importante. Não que todos devam ser músicos de carreira, pois não seria este o intuito, mas sim para que algo que é imanente a todo ser humano se desenvolva em sua potencialidade e, por sua vez, seja combustível desse próprio desenvolvimento. Pois a arte se alimenta da arte. (Pergunte a uma artista e ele dirá que seu consumo é essencialmente arte, pois só assim ele poderá produzi-la). E um país que a negligencia, é um país de pouca expressão, de identidade fraca, que pouco pode dizer sobre o mundo e sobre si mesmo; obtuso.

Espera-se que no ano de 2012 se venha realmente consolidar o ensino de música, pois ainda não se está cumprindo o que determina a lei 11.769. As desculpam sempre são as mesmas: falta de recursos, falta de profissionais, falta de estrutura etc. só esquecem de dizer sobre a falta de vontade política - este sim, o maior dos empecilhos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Pedido do autor

Peço que sejam sinceros e que comentem os textos. Debatamos. Não quero bajulação ou demasiado cuidado em demonstrar fraquesas de meus argumentos. Estejam à vontade para fazer suas considerações... espero que possamos crescer com nossos debates e que o respeito mútuo seja nosso intermediador. Assim nasce a luz; assim nascem os encantos dos delírios sinuosos - que a luz por si só não é bela, mas que precisa da dança com o escuro.

O caso dos exploradores de cavernas

A resolução de um caso tão insólito é sem dúvida coisa de extrema responsabilidade, talvez responsabilidade demais para uma única pessoa, na qual a vida de quatro sobreviventes de tão horrendo desastre repousa em mãos. A realidade dos fatos causa perplexidade a qualquer homem de consciência sadia, haja vista tratar-se de um homicídio seguido de antropofagia, tais atos repudiados por nossa sociedade. O que torna o caso sui generis e por isso mesmo de difícil resolução, é que as circunstâncias em que se encontravam os induziram a atitudes desesperadas como acima mencionadas, isto é, em não ocorrendo singular situação, tais atitudes jamais teriam ocorrido, valendo lembrar que se tratava de cinco amigos, membros de uma mesma Sociedade Espeleológica, e que por isso pode se inferir que tivessem grande afinidade.

A questão posta é: Devem ser punidos com a morte os quatro sobreviventes que tiraram a vida de um de seus companheiros (Roger Whetmore), com a finalidade de fazer uso de sua carne para alimentação, visto como único meio de sobrevivência? A resposta não é simples. Deve-se refletir, em especial caso, quem ou o quê foram os verdadeiros culpados.

Não se constitui crime visitar ou explorar cavernas, nem podemos alegar que fora de responsabilidade dos cinco se expor a tias riscos, mesmo porque situações similares podem ocorrer em diversos lugares, mesmo em cidades populosas - onde escombros poderiam obstruir passagens de fuga e de acesso. Ressalta-se também a importância dos desbravadores que buscam aprimorar o conhecimento humano e que por necessidade e por compromisso com a verdade científica vão a lugares remotos e muitas vezes de risco potencial. Assim, se por ventura formos ousados em nossas avaliações, poderíamos sugerir que a verdadeira culpada dos supostos crimes foi a natureza, ou seja, o mundo natural em que habitam todos os entes e que tem suas leis de funcionamento independentes da vontade humana. Mas não há como julgar a natureza, não existe tribunal para isso. Ela, por não ter consciência, não pode ser imputada por qualquer efeito que venha a realizar.

Dessa forma, voltando-nos para os quatro amigos, devemos nos indagar se ao realizarem atos que contradizem a ordem social tiveram intenção de fazê-los. É claro que sim. Mas fora de livre vontade? Não! Foram impelidos a isso. Não fora lhes dada escolha, era isso ou a morte. Podemos comparar a um indivíduo que tenha sua vida ameaçada por outro com uma arma, e que tenha que agir por isso contra sua vontade. Podemos apenas supor as angústias de uma situação como a qual se encontraram. Há que se lembrar do acordo feito pelo grupo, proposto pelo próprio imolado, e que, conforme relatado, vacilou de sua decisão, mas que por último, consentiu sua participação, mesmo não lançando os dados no jogo também proposto por ele.

Como condenar indivíduos que agiram por contragosto e que o fizeram por salvação de suas vidas? Nisto vale expor que em andamento a espera por socorro e que se nada fizessem para remediar sua fome, não só um, mas todos os cinco homens estariam mortos. Isto é, caso não recorressem à insalubre solução, visto que ninguém tomaria tal decisão se houvesse outra alternativa, não se estaria julgando nada neste momento. E como condenar à morte homens que cometeram homicídio? Pune-se homicídio com homicídio? Nesse caso de mais quatro? Pois também, no caso, morreram de forma indireta 10 (dez) trabalhadores, totalizando 11 (onze) vidas. É, pois, forçoso que se cessem as mortes! Livrem-se estes quatro infortunados, que por tão deplorável circunstâncias cometeram atos tão repulsivos a nós, mas não menos a eles mesmos, e que por si constituem castigo suficiente, pois só nos é dado imaginar o desespero em que se encontraram e o remorso de suas ações.

Manifestações políticas na caixa registradora

O consumo se consolidou na nossa sociedade como uma condicionante. Para esmagadora maioria da população, não há a escolha “consumir ou não consumir?” – essa, definitivamente, não é a questão. No geral, ou se consome ou se morre! Essa condição tem mais uns agravantes: nosso sistema de produção baseia-se intermediariamente nele, no consumo, ou seja, a força motriz de nossa economia está no fato de se produzir para se obter lucro. Assim, de forma simplificada, quanto mais produtos se vender, maior o lucro obtido. Logo os produtores precisaram intensificar o consumo, como? Alienando o consumidor. Este não poderia apenas consumir para sua subsistência, deve consumir compulsivamente, como um transtornado. Consumir coisas que não precisa e em excesso. Assim está alicerçado nosso sistema de produção, que não se importou (e em grande parte não se importa) com as consequências de uma produção exacerbada, que causou enorme abalo às condições naturais do planeta.

Sabe-se que justamente nos países em que se discutem mais permanentemente os processos produtivos e suas consequências para o mundo dos homens (que inclui necessariamente o da natureza), foram e são os que intensificaram ao limite esse modelo de produção e consumo. São os chamados países ricos - a maioria fica no norte do globo. Atualmente, com o iminente colapso das condições produtivas, principalmente no que se refere às questões ambientais, cujo desgaste fora tanto que poderá inviabilizar a existência de futuras gerações – e sem gente, não há como produzir e nem para quem produzir -, a população do mundo, especialmente a dos países desenvolvidos (talvez por um peso na consciência) está, em tese, disposta a consumir produtos politica e ecologicamente corretos, mesmo que paguem mais caro por eles, criando assim o chamado consumo ético.

Tal tendência de consumo é louvável, mesmo porque contraria a postura passiva do consumidor e estimula a demanda produtiva para um mercado mais consciente, contudo, há limites que não podem ser ignorados: o principal deles é a pobreza. Uma pessoa rica e instruída pode perfeitamente escolher o que consumir, enquanto uma pessoa com poucos recursos financeiros não pode se dar a esse luxo. O motivo é obvio, seu objetivo é fazer com que seu parco orçamento seja otimizado ao máximo, isso implica em consumir produtos baratos, não importando a procedência.

Um outro fator a ser levantado é o fetiche que a tal tendência de consumo ético pode causar. Até onde se pode chamar de conscientização e não uma moda passageira? Um flerte juvenil? Uma onda vazia de conceitos que venha tão somente a agregar um grupo? Isto é, o consumo consciente passa a ser mais uma etiquetação de pessoas que podem dizer que estão fazendo o bem, e que buscam se enquadrar no grupo dos “cabeças feitas”. Podem alegar que isso não importa, pois o efeito é o mesmo. Aparentemente sim, porém como tendência de comportamento e de discurso pode causar alguns engodos, tais como os resultados de pesquisas em que se baseiam na opinião do consumidor. Uma delas, por exemplo, diz que 62% de uma faixa de consumidores está disposta a pagar US$ 5 a mais por um sutiã produzido de forma mais correta. Isso não significa que eles realmente o façam, pois pesquisas que venham a tão somente entrevistar o consumidor não está na verdade demonstrando a realidade, e sim uma tendência. Há também de se considerar a possibilidade de que produtores oportunistas venham a burlar as normas de qualificação de seu produto, tão somente porque encontram possibilidade de lucro maior, visto que os “produtos corretos” são em média mais caros. Isso pode ocorrer especialmente em países com órgãos fiscalizadores débeis e corruptos, como é o caso de um país muito familiar.

Enfim, não se pode negar que a conscientização do consumidor não faça parte de um processo de aperfeiçoamento de nosso sistema de produção, mas não se pode atribuir-lhe poderes miraculosos, especialmente quando tratado de forma desconexa, pois no nosso sistema produtivo outros agentes e circunstâncias estão envolvidos. Não podemos desvincular a participação dos Estados nesse processo e tão pouco desconsiderar as condições de vida da maioria da população do mundo, que por ter muito pouco dinheiro, muitas vezes não consome nem o necessário para uma existência plena, quiçá produtos politicamente corretos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Os árbitros devem aceitar ajuda dos vídeos?

Não há dúvidas de que o futebol é um dos esportes mais difundidos no mundo, prova disso são os inúmeros campeonatos, sejam eles nacionais, regionais, e sua maior atração, o mundial, conhecido como Copa do Mundo. As atenções são calorosas: muita torcida, muito dinheiro, muita mídia... Mas para chegar aonde chegou, o futebol teve que percorrer um longo e sinuoso caminho. Para não ser demasiadamente longo, basta dizer que no passado as mídias da época já acompanhavam de perto tão ilustre esporte, nos jornais impressos e no rádio. Com achegada da televisão, as possibilidades se ampliaram ao público, que passou a não só a ouvir os acontecimentos do jogo, mas a ter uma visão praticamente em tempo real.

No entanto, tal perspectiva – uma visão panorâmica do campo e de seus elementos – é ao mesmo tempo uma ampliação e uma redução. Uma ampliação porque o indivíduo não precisa ir ao estádio onde ocorre a partida para vê-la*; não fica a interpretar ou mesmo a imaginar o que o locutor estar a descrever ou a narrar, pode até mesmo confrontar as informações, caso o locutor se engane com algum lance, por exemplo: trocar os nomes dos jogadores etc. Com o passar dos anos, e com o aperfeiçoamento das tecnologias telecomunicativas, ampliou-se ainda mais as possibilidades de visão, pois mais câmeras de diferentes tipos foram incluídas no grande show que se tornou o futebol. Contudo, a perspectiva televisiva não deixa de ser uma redução, pois as transmissões buscaram o enquadramento visto de um ângulo que se assemelhasse ao de um torcedor presente num local privilegiado do estádio – e atualmente, no maior tempo de transmissão de um jogo, ainda se tem esse enquadramento. O que é evidentemente diferente, pois um torcedor presente pode vislumbrar muitos outros elementos que necessariamente não estejam no lance com a bola, como se consagrou em grande parte a transmissão televisiva. Enfim, uma observação empírica seria recomendável, ou para não se chegar a tanto, entreviste-se um espectador de uma partida, ele sem dúvida fará grandes distinções.

Acontece que com a transmissão dos jogos pela televisão, os olhares se multiplicaram a um ponto imponderável, o que expôs as vicissitudes das partidas, com especial ênfase no desempenho dos árbitros. Não que antes das transmissões televisionadas eles não errassem, contudo, nesse novo contexto, praticamente o mundo inteiro pode assistir às suas falhas. Soma-se a isso, com advento das técnicas e das tecnologias, as câmeras puderam focar lances que não são possíveis ao olho humano, por exemplo, a aproximação de imagens; some-se ainda as diversas perspectivas geradas por câmeras distribuídas pelo estádio - chega-se até mesmo a se ter uma minicâmera afixada no travessão do gol. Não demorou muito para que os torcedores, comentaristas, locutores e desportistas em geral começassem a cogitar a possibilidade de esse aparato tecnológico servir de auxílio aos árbitros.

As intenções são boas, porém tais mediadas podem descaracterizar um jogo já tão consagrado. Muitos argumentos são emersos para defesa de tal tese, entre os quais o de que com o auxílio dos vídeos, os árbitros poderiam observar seus erros e corrigi-los. Esse é um argumento de maior peso, visto que tem uma finalidade nobre, mas vale lembrar que um esporte como futebol tem uma tradição, e que o erro (imanente a todo ser humano) já faz parte do jogo, sem contar, claro, que as interrupções para averiguação de cada lance – creio que pelo menos os mais duvidosos – acabariam interferindo na dinâmica do jogo, tornando-o demasiadamente longo e descontínuo. Há os que questionam a idoneidade dos árbitros, e há realmente casos que confirmam tais denúncias, porém, vale lembrar que o esporte está alicerçado em uma organização hierárquica que inclui federações e uma legislação pertinente, ou seja, casos de irregularidades são devidamente tratados nas instituições que lhe são próprias, cabendo ainda, depois de esgotados todos os recursos dentro esfera desportiva, o acionamento da justiça comum.

Há os que argumentam de que as decisões ficam centralizadas apenas em um homem, mas isso não se verifica na prática, pois numa partida há um corpo de árbitros, um juiz e dois bandeirinhas, conta-se ainda com uma equipe reserva, que inclui um quarto árbitro. Todos têm funções específicas, mas em caso de dúvida em determinado lance, o juiz pode consultar seus auxiliares. Vale lembrar que o desempenho dos árbitros é acompanhado por uma comissão da federação de futebol. Em suma, durante um jogo, a palavra final é a do juiz, mas ele não toma decisões sozinho, e não às cegas.

Muitos outros argumentos que defendem a utilização de vídeos pelos árbitros poderiam ser elencados, contudo, os mais plausíveis e por isso mesmo os mais recorrentes não se sustentam quando confrontados por uma análise profunda. Para o arremate deste debate, pode-se dizer que o futebol não é um esporte de precisão, assim como os demais esportes coletivos, sua arbitragem está na dependência dos limites humanos, sejam éticos, físicos, psíquicos etc. Por que seria diferente? Todos os demais esportes coletivos não usufruem de vídeos para as decisões dos árbitros, qual o interesse em fazê-lo para o futebol? Vai ver que foi sua imensa propagação no mundo, no qual se apresentou como um espetáculo esfuziante e encantador, e que por isso há uma irresistível vontade em aperfeiçoá-lo. Mas foi assim, com suas limitações, sua natureza humana, que ele seduziu a maioria das pessoas - das gerações passadas às atuais -, aproximando nações, tornando este planeta mais redondo, como uma bola de futebol.

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*Devido ao conforto de se assistir a uma partida de futebol em sua própria residência, institui-se que, em muitos casos, jogos realizados nos estados da federação não seriam transmitidos ao vivo pela mídia televisiva daquele local.

domingo, 24 de julho de 2011

MITO NÚMERO 3: “O PROFESSOR TEM QUE SER PAI, MÃE, TIO, ASSISTENTE SOCIAL, PSICÓLOGO ETC.”

Mais uma vez a falácia, ou a boa intenção dos infernos. Acha-se esse mito/discurso gracioso, engrandecedor da profissão. É repetido sem o mínimo de reflexão, por professores, por uma parcela da sociedade, pedagogos, e principalmente, por pessoas que exercem cargos de comando na educação. Não se pode negar que exista a responsabilidade do professor para com os alunos, mas não devemos confundir as coisas. A principal atribuição do professor é ensinar, educar e aprender – professor é aquele que aprende e estuda -, coisa que todos podem fazer, não acha? Não precisa necessariamente ser professor para se fazer isso, mas veja que, graças a LDB, hoje um profissional da educação tem uma formação específica, pelo menos era pra ter. Ele sabe de coisas que dificilmente outro profissional saberia, em especial, como se dá a aprendizagem da criança e do ser humano em geral, sem falar nas questões específicas do conhecimento de sua área - pelo menos assim era pra ser.

Mas por que querem dar tantas atribuições aos professores? O que há por trás disso? Parte da resposta pode ser tenebrosa demais para ser encarada nos olhos. Professores que proferem tal discurso, em geral, estão se queixando da sobrecarga de responsabilidades, o que não significa que estejam de acordo com essas atribuições “outorgadas”. Mas quando vem um (i)responsável pela educação, afirmando tais sandices, a coisa é mais ardilosa. Há muito que venho me deparando com um quadro ideal de profissionais de uma escola que incluiria um psicólogo, ou psicopedagogo, um assistente social, enfermeiro, auxiliares de coordenação... Mas cadê? Onde estão? Quem quer pagar por eles? Contratá-los? - Com os salários que lhes são de direito?! E o pior é que não há leis que obriguem que estes profissionais estejam nas escolas.

Em suma: o professor está sozinho! Tudo sobra pra ele! Ele deve dar o jeito! Por isso que muitos discursos proferidos sobre educação já começam com “O professor tem/deve...” Mas por que chegamos a isso? Lamentavelmente tivemos que conviver com uma corrosão social. Veja: Por que a escola piorou em se tratando de relações interpessoais? - Porque a sociedade como um todo piorou, em especial neste quesito. Estamos degradados socialmente: os valores que dispomos não nos proporcionam um bem-estar; não sabemos conviver: somos mais desarmônicos e violentos. Os responsáveis pela criação dos alunos vivem sobrecarregados, presos a um mundo de ignorância e violência, e acreditam que EDUCAÇÃO se dá somente na escola.

Não digo que há somente a degradação material, posto que pobre neste país sempre existiu, mas que o pobre de hoje está espiritualmente corrompido. E pior: não há dignidade em canto algum, rico ou pobre, todos apodrecem a sua maneira. Só para exemplificar: na época de nossos avós, os alunos não precisavam colocar correntes e cadeados nas bicicletas das quais faziam uso para chegar à escola. Hoje são itens indispensáveis, e mesmo precavido, o aluno pode ter seu bem danificado só para o entretenimento de seus “colegas” valentões. E o tal do bulling? Essa importação ignóbil da sociedade enferma estadunidense! No tempo dos nossos avós, meninos mais abastados jogavam bola com seus colegas descalços depois da aula, atualmente isso já é uma raridade. Acabamos por imitar um modelo que não nos pertence, o de segmentação por grupos; importamos até mesmo termos que não são da nossa língua para nomeá-los. É triste, mas chega de exemplos, posto que poderia passar o dia todo.

Então, quem poderia nos salvar de tal decadência? O Superman? A Mulher Maravilha? O Batman? O Scooby Doo? Não! Tcharam: o professor! Esse ser ultrassuperpoderoso indefectível, capaz de resolver todos os problemas sociais! Incluindo a deserção familiar. Minha gente: “ser pai, ser mãe” ou querendo dizer “substituir pai, mãe, tio...” Isso não existe! Isto é INEXISTÍVEL! Não existe um profissional que possa fazê-lo ou sê-lo, sejamos racionais! Todos devem fazer sua parte e, levando-se em conta que o professor fica apenas 4 horas por dia, 5 dias por semana, em média 200 dias ao ano, sendo ao todo 800 horas por ano, e considerando que o ano tem 8.760 horas e, sendo bastante razoável, subtraindo o que um indivíduo em média utiliza para seu descanso que são 8 horas/dia, o que dá 2.920/ano, fazendo as contas são 5.040 horas/ano que os alunos ficam acordados e em outro lugar que não a escola, e que nesta, frisando, são apenas 800 horas/ano. Então, quem tem maior tempo de convivência com o aluno?

E ser psicólogo? É um desrespeito a esse profissional que passa cinco anos para fazer um bacharelado, parece que é só querer ser e pronto! Ninguém precisa estudar para sê-lo. Tal consideração também se estende ao assistente social, enfermeiro, etc. enfim, todos aqueles profissionais que alguns irresponsáveis ou pilantras teimam dizer que o professor tem que ser. Quem dera o professor pudesse ganhar igual a estes, ou que caso acumulasse tais atribuições, como apregoam os energúmenos, também acumulasse seus salários.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Lições de Maquiavel à política acreana

“(...) os homens mudam de governantes com grande facilidade, esperando sempre uma melhoria. Essa esperança os leva a se levantar em armas contra os atuais. E isto é um engano, pois a experiência demonstra mais tarde que a mudança foi para pior.”

A Frente Popular chegou ao poder graças à esperança de melhoria para a população, o que em verdade, em grande parte foi feito, mas não em absoluto. Muitas obras e reformas melhoraram a vida do povo, mas o exagero propagandístico (o melhor lugar pra se viver) irritou a população, tanto pobres (que mais sentem na pele as dificuldades do dia-dia) quanto a classe média mais informada, que paga excessivos impostos e sofre com a precariedade de muitos serviços.

É certo de que houve conquistas, em especial, nas estruturas do Estado. Contudo deve-se admitir a estagnação, pois a cada melhoria exigi-se maior esforço. Veja-se: não basta apenas reformar hospitais, escolas, prédios administrativos etc. é preciso melhorar também o atendimento, a qualidade do serviço, entre outros. Em princípio a melhoria estrutural satisfaz a população, mas essa, é claro, quererá mais, e com toda razão.

Com a estagnação dos avanços - posto que pararam, a grosso modo, nas estruturas -, a população desconfiou da capacidade dos atuais governantes em promover o aprimoramento social, ou o que é pior, a população acabou por desconfiar da existência desse interesse nos governantes. Soma-se a isso a falta de realidade nas propagandas e discursos afoitos que acabaram por ofender a inteligência de muitos, discursos esses que pintavam o paraíso e davam o sinal de que nada mais precisava ser feito.

O povo, de modo intuitivo, sabe que “sempre se tem pra onde melhorar, mas que também sempre se tem pra onde piorar”, e percebendo que, de algum modo, a centralização do poder em um grupo, acabou por estagnar as melhorias, prefere se arriscar. Tem o pensamento de que se contrapor um outro grupo no poder, poderá se beneficiar, o que pode ser um equívoco, mas enfim, esse raciocínio tem sua razão de ser. Ouve-se: “é preciso alternar o poder para que eles não fiquem mal-acostumados”, ou, “não se pode ter o mesmo partido na presidência, no governo do estado e na prefeitura, pois eles vão mandar e desmandar sem ter quem os fiscalize”. É preciso reconhecer que tais pensamentos têm um fundo lógico, e sempre se equivoca quem desconhece a lógica do povo ou alega que ela não existe.

Maquiavel contrapunha-se a mudanças imediatistas de poder, visto que tais mudanças em muito lhe prejudicaram, mas no contexto atual, mudar de governantes pode ser uma das poucas armas que restou para o pobre e sofrido povo, que não vai deixar de usá-la, mesmo sabendo dos riscos. Cabe agora aos atuais governantes demonstrar na prática que estão melhorando a qualidade de vida da população, e que estão dispostos a continuar melhorando, sem eloqüência vazia, propagandas excessivas, altaneiras e irreais, e em especial, sem imposições.

E, para deixar bem claro, nunca afirmar que já se atingiu o paraíso, mesmo porque isso é irreal, e que por fim leva a entender que não há mais nada para se fazer, nenhuma conquista, nenhum sonho ou melhoria, o que leva o povo a se arriscar com outros governantes, seja por acreditar que outros podem fazer mais, ou para contrapor o poder (promovendo a dialética, o movimento, e autofiscalização dos poderes), ou para se ver livre de opressões e imposições, ou tudo isso junto e mais a desconfiança de que o atual governo seja incapaz e/ou desinteressado em promover ou continuar promovendo melhorias.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

MITO NÚMERO 2: “SER PROFESSOR É UMA MISSÃO”

Esse mito é para mim o mais odioso, haja vista o que há por trás dele. Mas comecemos por partes. Esse segundo mito está em muito ligado ao primeiro, quando se acreditava na transformação mágica da sociedade pela pura transformação educacional. Paulo Freire tem certa parcela de culpa nisso, mas principalmente aqueles que descontextualizam seu discurso, o que ocorre muito ainda hoje, em que ardilosos ou ingênuos fragmentam seus escritos e utilizam apenas o que lhes convém, e os pobres professores, que não são dados a leituras, a não ser de resumos, contracapas e orelhas de livros (estou sendo otimista), são facilmente enganados.

Paulo Freire era um engajado cristão comunista, sua veia religiosa era forte, mesmo sendo um seguidor de Karl Max (quem tem um ralo conhecimento histórico sabe que comunismo e cristianismo muito se afinaram na América Latina daquele tempo), e por isso chegou a pregar que ser um educador é uma missão, um ato altruístico, um martírio para se chegar a algo maior - junte-se comunismo e cristianismo e têm-se essas coisas. Em pouco tempo o ardiloso Estado brasileiro utilizou-se desse trecho discursivo de Freire para entusiasmar os professores. Entusiasmá-los e enganá-los. Pois alguém pode se perguntar: “Mas que mal há nisso?”, aliás crê-se que seja um bem. Eis aí onde mora o gato, pois cuidado com as boas intenções quando se trata de educação. Tal visão de que “ser professor é uma missão”, é um atraso para a consolidação profissional, pois um missionário não precisa ser bem pago, não precisa de condições de trabalho, não precisa de muita coisa, pois ele faz por amor, por ideologia, por acreditar.

Que maravilha! Você pode ter o máximo com o mínimo! Um estado neoliberal vê serviços essenciais como custos, e nada melhor do que ter um bom serviço pagando-se pouco por ele. Mas aí vem outro problema: a hipocrisia só gera hipocrisia. O estado não consegue um bom serviço dos professores porque é hipócrita e os professores tornam-se hipócritas para com o estado. O primeiro finge-se preocupado com a educação, com sua qualidade, suas condições de funcionamento, com os salários; e o segundo finge-se realmente engajado, entusiasmado, missionário, santo. Observai o mundo, papai, observai.

A realidade não pode ser maquiada, abra a janela e veja: a educação brasileira não condiz com o crescente desenvolvimento econômico e tecnológico do momento. O Brasil andou crescendo mais por sorte do que por mérito, graças à grande valorização das commodities nos mercados internacionais. Mas até quando esta maré de sorte se perpetuará? Não por muito tempo. Já há estudos que indicam que a precariedade da educação já afeta a produtividade, ou seja, as pessoas com o mínimo de estudo exigido pelo mercado de trabalho são incapazes de realizar tarefas simples, isso considerando os padrões de desenvolvimento atuais. A educação está descompassada, e isso é nó nos cadarços.

Então, chega de dissimulação, ser professor é profissão e não uma missão!!! Quem quiser ser missionário que vá para uma ordem religiosa. As pessoas que escolhem trabalhar como professores não devem fazer nenhum voto de pobreza nem passar por qualquer tipo de asceticismo. Precisamos consolidar essa consciência de que somos uma classe, somos uma categoria de trabalhadores que vende sua mão de obra, assim como tantas outras, e que estamos dispostos a fazer valer nosso esforço, que não é pouco.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Os mitos da educação

Falar dos problemas da educação, sem dúvida, é coisa chata e repetitiva, pelo fato de serem óbvios e crônicos. Mas parece que nessa época de informação ainda prevalecem o senso comum e discursos desavergonhados que acabam por reforçar mitos, distorcendo realidades e disfarçando intenções. Muitas idéias, muitos mitos, já foram refutados, pelo menos dentro do meio acadêmico, onde foram amplamente debatidas e esmiuçados, em especial, numa época remota de pensamentos mais engajados socialmente – hoje vive-se o triunfo neoliberal, mesmo num governo dito de esquerda. Não quero me prolongar, pois meu intuito aqui é dar umas marteladas nos mitos que por mais óbvios e revogados que sejam, ainda assolam a cabeça de muitos, mormente os profissionais da educação, o que torna a realidade para esses profissionais muito confusa e que por muito leva a atitudes cínicas. Mas não nos alonguemos, pois.

MITO NÚMERO 1: “SOMENTE A EDUCAÇÃO TRANSFORMA A SOCIEDADE”

Esse mito é muito sedutor, chama logo a atenção dos mais sonhadores, aventureiros, incautos e sem dúvida, ingênuos. Ninguém discute que a educação não seja importante, é óbvio que ela é, mas não se pode atribuir-lhe poderes milagrosos, como o de transformar sozinha toda uma sociedade. Acreditou-se por muito tempo, e cheguei a ouvir ainda quando era criança (e ainda ouço), que com uma educação de qualidade conseguia-se todo o resto, ou seja, um povo bem educado teria mais consciência de seus direitos e os reivindicaria, assim teríamos uma melhor política, uma saúde de primeiro mundo e por aí vai.

Acontece que a educação é mais uma conseqüência do que um princípio gerador, ela é resultado também de uma postura sociopolítica. Professores que venham franciscanamente a se engajar estarão sozinhos, ilhados, impotentes diante de uma estrutura engessada, preguiçosa, atávica, cínica. Muitos se frustram em pouco tempo, pois não se cura uma doença combatendo apenas os seus sintomas. Para que haja realmente uma transformação numa sociedade é preciso que haja concomitantemente uma transformação em todos elementos da própria sociedade, senão é enxugar gelo. Eu explico e exemplifico: Não basta um pobre ter uma boa educação, é preciso que ele tenha uma boa saúde, moradia, segurança, lazer, trabalho, liberdade, direitos, justiça, enfim, tudo, estou falando ter tudo com qualidade.

O que parece óbvio também que todos esses elementos passam pela alçada política. Então, para se começar, é preciso que se tenha uma boa política pública, no seu sentido mais amplo, que venha a fortalecer o princípio de idoneidade das instituições, também o de presteza. Por isso Paulo Freire pregava o engajamento político, sabia ele (e tantos outros) que só o esmero numa sala de aula não é suficiente para uma transformação social.

Entenda-se, não estou aqui dizendo que a educação não tenha um papel importante nesse processo, tem e muito, mas chega de vê-la como uma panacéia desvairada. Quem quiser fazer algo pela educação tem que ter uma visão mais holística; e por incrível que pareça, dentro do próprio segmento educacional, há um enorme contingente de ciclopes míopes – e há muitos interesses para que permaneçam assim.

quarta-feira, 2 de março de 2011

A Cadeira e o Fenômeno

Que coisa bonita é a cadeira vazia
Que nem é morte nem é vida
Que nem mesmo sua sombra é cadeira
Seria a luz que a circula, sua ausência?
Aquilo que nem é?
Uma sombra de um outro universo avesso? O mesmo.
##Alô!?## É da terrível Terra?##
Que coisa vazia é a cadeira bonita
Como te queriam na redoma de vidro

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O louco (ou Deus está em forma de motor)

Eu sei o que ninguém sabe. Aliás, eu sei! Eles dizem que sabem, mas nem imaginam! Eles, os cientistas... Eles dizem que sabem. Mas não sabem não. Mas eu sei!

Os cientistas, eles, que vêem as coisas com os olhos de vidro, que enxergam a alma de tudo-tudo no microscópio, dizem que existem bichinhos pequenininhos, pequenininhos, pequenininhos, que ninguém vê! Eles dizem. Mas que estão por toda parte.

Esses bichinhos pequenininhos, pequenininhos, pequenininhos são criaturas fantásticas! Dizem: “Estão por toda parte! No céu, nos intestinos, nos olhos, na sopa, no leite, nos sonhos. E ninguém vê! E são muitos, bilhares, bilhões! E mais, e muito mais. E ninguém vê”.

Mas eu sei!

Esses bichinhos pequenininhos, pequenininhos, pequenininhos não são bichos coisa nenhuma!

São homens!

Que foram encolhendo, encolhendo, encolhendo...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Dois de mim

Que é que tu fazes aí parado que não está amando?
E nem por que pode amar?
Cadê os pombos?A luz do dia?
Cadê tua última conclusão? Como se fosse tua...
Amor, amor, amor ( como na canção) é que ousas falar...
Mas cadê o mar?
E onda molhando o tempo que dissolve na boca...?
Já sei: arranca tua língua e bate nos outros como para espantar a dor e o medo...
E o prazer, cadê?
Mais foges, mais queres
Mais te guardas pra nada.
E no agora mais tarde ficará...
E de que adianta vangloriar-se das mágoas do teu tempo de aço?
Esqueça, tu nem mesmo sabes dançar,
-E se cantasse?!
... talvez, não sei, quem sabe?