A Rodrigo Dantas Mendes - também coautor dessa crônica.
Num prédio da maior cidade do País, uma equipe mista, composta por estrangeiros e um brasileiro, realiza uma operação da mais alta periculosidade: o desarmamento de uma bomba nuclear, colocada lá por um grupo de terroristas - não se sabe se terroristas do governo ou não. O Brasileiro, especialista em desarmamento, está junto à bomba no salão do 13°andar, enquanto outro grupo de estrangeiros coordena a operação numa área segura.
- Brasileiro? Cambio? – pergunta o chefe das operações.
- Sim, estou ouvindo. Cambio.
- Já encontrou a bomba? Cambio?
- Já, tá aqui na minha frente. Cambio.
- Então pode realizar os procedimentos de averiguação. Cambio.
- Já realizei, está tudo certo. Cambio.
- Ótimo, é bom ver que você tem muita confiança. Bom, verifique quanto tempo temos para o desarmamento. Cambio.
- Bom é... deixa eu ver ... ah, menos de dois minutos! Cambio.
- Então temos que nos apressar! Mantenha a calma e tudo dará certo. Você já retirou a parte superior da bomba? Cambio?
- Como assim? Cambio?
- Você já abriu a bomba, e retirou o dispositivo de acionamento? Cambio?
- Ah, não. Cambio.
- Não! O que que você ficou fazendo nestes quinze minutos ? Cambio?!
- Fiquei observando ... Cambio!
- Obser... o quê?!! Tá, tá, então seja rápido e abra esta bomba! Cambio!
- Não posso, esqueci minhas ferramentas... Cambio!
- VOCÊ O QUÊ?!!! Mas... mas... como você pôde ter esquecido seu equipamento de desarme, seu animal!!! ... Tá, tá, mantendo a calma, mantendo a calma. Tente abri-la manualmente, use o que lhe for possível, afinal você é o mais qualificado homem do esquadrão. Cambio!
Nisso ouve-se o choro do especialista pelo comunicador. Todos ficam estupefatos e o chefe pergunta sussurrando “o que ele está fazendo?”, e alguém da equipe responde, também sussurrando: “parece que ele está chorando”. Os olhos da equipe se dilatam numa mistura de pavor, nervosismo e ódio.
- Chefe? – diz o especialista Brasileiro, soluçando - tenho algo a dizer.
O Chefe nada responde, fica catatônico, de boca aberta.
- Sabe, aquele meu currículo... é falso. Eu não tenho doutorado. Paguei pra alguém fazer por mim (soluços).
E o chefe, num último ataque de esperança diz:
- Do que importa os diplomas? São só papéis! Você passou nas provas de admissão do esquadrão!Está qualificado! Confie! Vá lá e desarme est...
- Chefe?! Eu ... eu fraudei o concurso. Eu... eu... comprei o gabarito... e os jurados (mais soluços)
- Você o quê?!
- Chefe... eu... eu... mal sei ler. Sempre achei as coisas muito difícil... eu só queria fazer coisas que nem no cinema...
- Cala essa boca!!! Mas como? Como você chegou a ser o maior especialista nesta porcaria de esquadrão?!!
- É que meu pai é um homem muito influen...
BUM!!!
... e lá se foi um País.