terça-feira, 29 de novembro de 2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Pedido do autor
Peço que sejam sinceros e que comentem os textos. Debatamos. Não quero bajulação ou demasiado cuidado em demonstrar fraquesas de meus argumentos. Estejam à vontade para fazer suas considerações... espero que possamos crescer com nossos debates e que o respeito mútuo seja nosso intermediador. Assim nasce a luz; assim nascem os encantos dos delírios sinuosos - que a luz por si só não é bela, mas que precisa da dança com o escuro.
O caso dos exploradores de cavernas
A resolução de um caso tão insólito é sem dúvida coisa de extrema responsabilidade, talvez responsabilidade demais para uma única pessoa, na qual a vida de quatro sobreviventes de tão horrendo desastre repousa em mãos. A realidade dos fatos causa perplexidade a qualquer homem de consciência sadia, haja vista tratar-se de um homicídio seguido de antropofagia, tais atos repudiados por nossa sociedade. O que torna o caso sui generis e por isso mesmo de difícil resolução, é que as circunstâncias em que se encontravam os induziram a atitudes desesperadas como acima mencionadas, isto é, em não ocorrendo singular situação, tais atitudes jamais teriam ocorrido, valendo lembrar que se tratava de cinco amigos, membros de uma mesma Sociedade Espeleológica, e que por isso pode se inferir que tivessem grande afinidade.
A questão posta é: Devem ser punidos com a morte os quatro sobreviventes que tiraram a vida de um de seus companheiros (Roger Whetmore), com a finalidade de fazer uso de sua carne para alimentação, visto como único meio de sobrevivência? A resposta não é simples. Deve-se refletir, em especial caso, quem ou o quê foram os verdadeiros culpados.
Não se constitui crime visitar ou explorar cavernas, nem podemos alegar que fora de responsabilidade dos cinco se expor a tias riscos, mesmo porque situações similares podem ocorrer em diversos lugares, mesmo em cidades populosas - onde escombros poderiam obstruir passagens de fuga e de acesso. Ressalta-se também a importância dos desbravadores que buscam aprimorar o conhecimento humano e que por necessidade e por compromisso com a verdade científica vão a lugares remotos e muitas vezes de risco potencial. Assim, se por ventura formos ousados em nossas avaliações, poderíamos sugerir que a verdadeira culpada dos supostos crimes foi a natureza, ou seja, o mundo natural em que habitam todos os entes e que tem suas leis de funcionamento independentes da vontade humana. Mas não há como julgar a natureza, não existe tribunal para isso. Ela, por não ter consciência, não pode ser imputada por qualquer efeito que venha a realizar.
Dessa forma, voltando-nos para os quatro amigos, devemos nos indagar se ao realizarem atos que contradizem a ordem social tiveram intenção de fazê-los. É claro que sim. Mas fora de livre vontade? Não! Foram impelidos a isso. Não fora lhes dada escolha, era isso ou a morte. Podemos comparar a um indivíduo que tenha sua vida ameaçada por outro com uma arma, e que tenha que agir por isso contra sua vontade. Podemos apenas supor as angústias de uma situação como a qual se encontraram. Há que se lembrar do acordo feito pelo grupo, proposto pelo próprio imolado, e que, conforme relatado, vacilou de sua decisão, mas que por último, consentiu sua participação, mesmo não lançando os dados no jogo também proposto por ele.
Como condenar indivíduos que agiram por contragosto e que o fizeram por salvação de suas vidas? Nisto vale expor que em andamento a espera por socorro e que se nada fizessem para remediar sua fome, não só um, mas todos os cinco homens estariam mortos. Isto é, caso não recorressem à insalubre solução, visto que ninguém tomaria tal decisão se houvesse outra alternativa, não se estaria julgando nada neste momento. E como condenar à morte homens que cometeram homicídio? Pune-se homicídio com homicídio? Nesse caso de mais quatro? Pois também, no caso, morreram de forma indireta 10 (dez) trabalhadores, totalizando 11 (onze) vidas. É, pois, forçoso que se cessem as mortes! Livrem-se estes quatro infortunados, que por tão deplorável circunstâncias cometeram atos tão repulsivos a nós, mas não menos a eles mesmos, e que por si constituem castigo suficiente, pois só nos é dado imaginar o desespero em que se encontraram e o remorso de suas ações.
A questão posta é: Devem ser punidos com a morte os quatro sobreviventes que tiraram a vida de um de seus companheiros (Roger Whetmore), com a finalidade de fazer uso de sua carne para alimentação, visto como único meio de sobrevivência? A resposta não é simples. Deve-se refletir, em especial caso, quem ou o quê foram os verdadeiros culpados.
Não se constitui crime visitar ou explorar cavernas, nem podemos alegar que fora de responsabilidade dos cinco se expor a tias riscos, mesmo porque situações similares podem ocorrer em diversos lugares, mesmo em cidades populosas - onde escombros poderiam obstruir passagens de fuga e de acesso. Ressalta-se também a importância dos desbravadores que buscam aprimorar o conhecimento humano e que por necessidade e por compromisso com a verdade científica vão a lugares remotos e muitas vezes de risco potencial. Assim, se por ventura formos ousados em nossas avaliações, poderíamos sugerir que a verdadeira culpada dos supostos crimes foi a natureza, ou seja, o mundo natural em que habitam todos os entes e que tem suas leis de funcionamento independentes da vontade humana. Mas não há como julgar a natureza, não existe tribunal para isso. Ela, por não ter consciência, não pode ser imputada por qualquer efeito que venha a realizar.
Dessa forma, voltando-nos para os quatro amigos, devemos nos indagar se ao realizarem atos que contradizem a ordem social tiveram intenção de fazê-los. É claro que sim. Mas fora de livre vontade? Não! Foram impelidos a isso. Não fora lhes dada escolha, era isso ou a morte. Podemos comparar a um indivíduo que tenha sua vida ameaçada por outro com uma arma, e que tenha que agir por isso contra sua vontade. Podemos apenas supor as angústias de uma situação como a qual se encontraram. Há que se lembrar do acordo feito pelo grupo, proposto pelo próprio imolado, e que, conforme relatado, vacilou de sua decisão, mas que por último, consentiu sua participação, mesmo não lançando os dados no jogo também proposto por ele.
Como condenar indivíduos que agiram por contragosto e que o fizeram por salvação de suas vidas? Nisto vale expor que em andamento a espera por socorro e que se nada fizessem para remediar sua fome, não só um, mas todos os cinco homens estariam mortos. Isto é, caso não recorressem à insalubre solução, visto que ninguém tomaria tal decisão se houvesse outra alternativa, não se estaria julgando nada neste momento. E como condenar à morte homens que cometeram homicídio? Pune-se homicídio com homicídio? Nesse caso de mais quatro? Pois também, no caso, morreram de forma indireta 10 (dez) trabalhadores, totalizando 11 (onze) vidas. É, pois, forçoso que se cessem as mortes! Livrem-se estes quatro infortunados, que por tão deplorável circunstâncias cometeram atos tão repulsivos a nós, mas não menos a eles mesmos, e que por si constituem castigo suficiente, pois só nos é dado imaginar o desespero em que se encontraram e o remorso de suas ações.
Manifestações políticas na caixa registradora
O consumo se consolidou na nossa sociedade como uma condicionante. Para esmagadora maioria da população, não há a escolha “consumir ou não consumir?” – essa, definitivamente, não é a questão. No geral, ou se consome ou se morre! Essa condição tem mais uns agravantes: nosso sistema de produção baseia-se intermediariamente nele, no consumo, ou seja, a força motriz de nossa economia está no fato de se produzir para se obter lucro. Assim, de forma simplificada, quanto mais produtos se vender, maior o lucro obtido. Logo os produtores precisaram intensificar o consumo, como? Alienando o consumidor. Este não poderia apenas consumir para sua subsistência, deve consumir compulsivamente, como um transtornado. Consumir coisas que não precisa e em excesso. Assim está alicerçado nosso sistema de produção, que não se importou (e em grande parte não se importa) com as consequências de uma produção exacerbada, que causou enorme abalo às condições naturais do planeta.
Sabe-se que justamente nos países em que se discutem mais permanentemente os processos produtivos e suas consequências para o mundo dos homens (que inclui necessariamente o da natureza), foram e são os que intensificaram ao limite esse modelo de produção e consumo. São os chamados países ricos - a maioria fica no norte do globo. Atualmente, com o iminente colapso das condições produtivas, principalmente no que se refere às questões ambientais, cujo desgaste fora tanto que poderá inviabilizar a existência de futuras gerações – e sem gente, não há como produzir e nem para quem produzir -, a população do mundo, especialmente a dos países desenvolvidos (talvez por um peso na consciência) está, em tese, disposta a consumir produtos politica e ecologicamente corretos, mesmo que paguem mais caro por eles, criando assim o chamado consumo ético.
Tal tendência de consumo é louvável, mesmo porque contraria a postura passiva do consumidor e estimula a demanda produtiva para um mercado mais consciente, contudo, há limites que não podem ser ignorados: o principal deles é a pobreza. Uma pessoa rica e instruída pode perfeitamente escolher o que consumir, enquanto uma pessoa com poucos recursos financeiros não pode se dar a esse luxo. O motivo é obvio, seu objetivo é fazer com que seu parco orçamento seja otimizado ao máximo, isso implica em consumir produtos baratos, não importando a procedência.
Um outro fator a ser levantado é o fetiche que a tal tendência de consumo ético pode causar. Até onde se pode chamar de conscientização e não uma moda passageira? Um flerte juvenil? Uma onda vazia de conceitos que venha tão somente a agregar um grupo? Isto é, o consumo consciente passa a ser mais uma etiquetação de pessoas que podem dizer que estão fazendo o bem, e que buscam se enquadrar no grupo dos “cabeças feitas”. Podem alegar que isso não importa, pois o efeito é o mesmo. Aparentemente sim, porém como tendência de comportamento e de discurso pode causar alguns engodos, tais como os resultados de pesquisas em que se baseiam na opinião do consumidor. Uma delas, por exemplo, diz que 62% de uma faixa de consumidores está disposta a pagar US$ 5 a mais por um sutiã produzido de forma mais correta. Isso não significa que eles realmente o façam, pois pesquisas que venham a tão somente entrevistar o consumidor não está na verdade demonstrando a realidade, e sim uma tendência. Há também de se considerar a possibilidade de que produtores oportunistas venham a burlar as normas de qualificação de seu produto, tão somente porque encontram possibilidade de lucro maior, visto que os “produtos corretos” são em média mais caros. Isso pode ocorrer especialmente em países com órgãos fiscalizadores débeis e corruptos, como é o caso de um país muito familiar.
Enfim, não se pode negar que a conscientização do consumidor não faça parte de um processo de aperfeiçoamento de nosso sistema de produção, mas não se pode atribuir-lhe poderes miraculosos, especialmente quando tratado de forma desconexa, pois no nosso sistema produtivo outros agentes e circunstâncias estão envolvidos. Não podemos desvincular a participação dos Estados nesse processo e tão pouco desconsiderar as condições de vida da maioria da população do mundo, que por ter muito pouco dinheiro, muitas vezes não consome nem o necessário para uma existência plena, quiçá produtos politicamente corretos.
Sabe-se que justamente nos países em que se discutem mais permanentemente os processos produtivos e suas consequências para o mundo dos homens (que inclui necessariamente o da natureza), foram e são os que intensificaram ao limite esse modelo de produção e consumo. São os chamados países ricos - a maioria fica no norte do globo. Atualmente, com o iminente colapso das condições produtivas, principalmente no que se refere às questões ambientais, cujo desgaste fora tanto que poderá inviabilizar a existência de futuras gerações – e sem gente, não há como produzir e nem para quem produzir -, a população do mundo, especialmente a dos países desenvolvidos (talvez por um peso na consciência) está, em tese, disposta a consumir produtos politica e ecologicamente corretos, mesmo que paguem mais caro por eles, criando assim o chamado consumo ético.
Tal tendência de consumo é louvável, mesmo porque contraria a postura passiva do consumidor e estimula a demanda produtiva para um mercado mais consciente, contudo, há limites que não podem ser ignorados: o principal deles é a pobreza. Uma pessoa rica e instruída pode perfeitamente escolher o que consumir, enquanto uma pessoa com poucos recursos financeiros não pode se dar a esse luxo. O motivo é obvio, seu objetivo é fazer com que seu parco orçamento seja otimizado ao máximo, isso implica em consumir produtos baratos, não importando a procedência.
Um outro fator a ser levantado é o fetiche que a tal tendência de consumo ético pode causar. Até onde se pode chamar de conscientização e não uma moda passageira? Um flerte juvenil? Uma onda vazia de conceitos que venha tão somente a agregar um grupo? Isto é, o consumo consciente passa a ser mais uma etiquetação de pessoas que podem dizer que estão fazendo o bem, e que buscam se enquadrar no grupo dos “cabeças feitas”. Podem alegar que isso não importa, pois o efeito é o mesmo. Aparentemente sim, porém como tendência de comportamento e de discurso pode causar alguns engodos, tais como os resultados de pesquisas em que se baseiam na opinião do consumidor. Uma delas, por exemplo, diz que 62% de uma faixa de consumidores está disposta a pagar US$ 5 a mais por um sutiã produzido de forma mais correta. Isso não significa que eles realmente o façam, pois pesquisas que venham a tão somente entrevistar o consumidor não está na verdade demonstrando a realidade, e sim uma tendência. Há também de se considerar a possibilidade de que produtores oportunistas venham a burlar as normas de qualificação de seu produto, tão somente porque encontram possibilidade de lucro maior, visto que os “produtos corretos” são em média mais caros. Isso pode ocorrer especialmente em países com órgãos fiscalizadores débeis e corruptos, como é o caso de um país muito familiar.
Enfim, não se pode negar que a conscientização do consumidor não faça parte de um processo de aperfeiçoamento de nosso sistema de produção, mas não se pode atribuir-lhe poderes miraculosos, especialmente quando tratado de forma desconexa, pois no nosso sistema produtivo outros agentes e circunstâncias estão envolvidos. Não podemos desvincular a participação dos Estados nesse processo e tão pouco desconsiderar as condições de vida da maioria da população do mundo, que por ter muito pouco dinheiro, muitas vezes não consome nem o necessário para uma existência plena, quiçá produtos politicamente corretos.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Os árbitros devem aceitar ajuda dos vídeos?
Não há dúvidas de que o futebol é um dos esportes mais difundidos no mundo, prova disso são os inúmeros campeonatos, sejam eles nacionais, regionais, e sua maior atração, o mundial, conhecido como Copa do Mundo. As atenções são calorosas: muita torcida, muito dinheiro, muita mídia... Mas para chegar aonde chegou, o futebol teve que percorrer um longo e sinuoso caminho. Para não ser demasiadamente longo, basta dizer que no passado as mídias da época já acompanhavam de perto tão ilustre esporte, nos jornais impressos e no rádio. Com achegada da televisão, as possibilidades se ampliaram ao público, que passou a não só a ouvir os acontecimentos do jogo, mas a ter uma visão praticamente em tempo real.
No entanto, tal perspectiva – uma visão panorâmica do campo e de seus elementos – é ao mesmo tempo uma ampliação e uma redução. Uma ampliação porque o indivíduo não precisa ir ao estádio onde ocorre a partida para vê-la*; não fica a interpretar ou mesmo a imaginar o que o locutor estar a descrever ou a narrar, pode até mesmo confrontar as informações, caso o locutor se engane com algum lance, por exemplo: trocar os nomes dos jogadores etc. Com o passar dos anos, e com o aperfeiçoamento das tecnologias telecomunicativas, ampliou-se ainda mais as possibilidades de visão, pois mais câmeras de diferentes tipos foram incluídas no grande show que se tornou o futebol. Contudo, a perspectiva televisiva não deixa de ser uma redução, pois as transmissões buscaram o enquadramento visto de um ângulo que se assemelhasse ao de um torcedor presente num local privilegiado do estádio – e atualmente, no maior tempo de transmissão de um jogo, ainda se tem esse enquadramento. O que é evidentemente diferente, pois um torcedor presente pode vislumbrar muitos outros elementos que necessariamente não estejam no lance com a bola, como se consagrou em grande parte a transmissão televisiva. Enfim, uma observação empírica seria recomendável, ou para não se chegar a tanto, entreviste-se um espectador de uma partida, ele sem dúvida fará grandes distinções.
Acontece que com a transmissão dos jogos pela televisão, os olhares se multiplicaram a um ponto imponderável, o que expôs as vicissitudes das partidas, com especial ênfase no desempenho dos árbitros. Não que antes das transmissões televisionadas eles não errassem, contudo, nesse novo contexto, praticamente o mundo inteiro pode assistir às suas falhas. Soma-se a isso, com advento das técnicas e das tecnologias, as câmeras puderam focar lances que não são possíveis ao olho humano, por exemplo, a aproximação de imagens; some-se ainda as diversas perspectivas geradas por câmeras distribuídas pelo estádio - chega-se até mesmo a se ter uma minicâmera afixada no travessão do gol. Não demorou muito para que os torcedores, comentaristas, locutores e desportistas em geral começassem a cogitar a possibilidade de esse aparato tecnológico servir de auxílio aos árbitros.
As intenções são boas, porém tais mediadas podem descaracterizar um jogo já tão consagrado. Muitos argumentos são emersos para defesa de tal tese, entre os quais o de que com o auxílio dos vídeos, os árbitros poderiam observar seus erros e corrigi-los. Esse é um argumento de maior peso, visto que tem uma finalidade nobre, mas vale lembrar que um esporte como futebol tem uma tradição, e que o erro (imanente a todo ser humano) já faz parte do jogo, sem contar, claro, que as interrupções para averiguação de cada lance – creio que pelo menos os mais duvidosos – acabariam interferindo na dinâmica do jogo, tornando-o demasiadamente longo e descontínuo. Há os que questionam a idoneidade dos árbitros, e há realmente casos que confirmam tais denúncias, porém, vale lembrar que o esporte está alicerçado em uma organização hierárquica que inclui federações e uma legislação pertinente, ou seja, casos de irregularidades são devidamente tratados nas instituições que lhe são próprias, cabendo ainda, depois de esgotados todos os recursos dentro esfera desportiva, o acionamento da justiça comum.
Há os que argumentam de que as decisões ficam centralizadas apenas em um homem, mas isso não se verifica na prática, pois numa partida há um corpo de árbitros, um juiz e dois bandeirinhas, conta-se ainda com uma equipe reserva, que inclui um quarto árbitro. Todos têm funções específicas, mas em caso de dúvida em determinado lance, o juiz pode consultar seus auxiliares. Vale lembrar que o desempenho dos árbitros é acompanhado por uma comissão da federação de futebol. Em suma, durante um jogo, a palavra final é a do juiz, mas ele não toma decisões sozinho, e não às cegas.
Muitos outros argumentos que defendem a utilização de vídeos pelos árbitros poderiam ser elencados, contudo, os mais plausíveis e por isso mesmo os mais recorrentes não se sustentam quando confrontados por uma análise profunda. Para o arremate deste debate, pode-se dizer que o futebol não é um esporte de precisão, assim como os demais esportes coletivos, sua arbitragem está na dependência dos limites humanos, sejam éticos, físicos, psíquicos etc. Por que seria diferente? Todos os demais esportes coletivos não usufruem de vídeos para as decisões dos árbitros, qual o interesse em fazê-lo para o futebol? Vai ver que foi sua imensa propagação no mundo, no qual se apresentou como um espetáculo esfuziante e encantador, e que por isso há uma irresistível vontade em aperfeiçoá-lo. Mas foi assim, com suas limitações, sua natureza humana, que ele seduziu a maioria das pessoas - das gerações passadas às atuais -, aproximando nações, tornando este planeta mais redondo, como uma bola de futebol.
___________________________________
*Devido ao conforto de se assistir a uma partida de futebol em sua própria residência, institui-se que, em muitos casos, jogos realizados nos estados da federação não seriam transmitidos ao vivo pela mídia televisiva daquele local.
No entanto, tal perspectiva – uma visão panorâmica do campo e de seus elementos – é ao mesmo tempo uma ampliação e uma redução. Uma ampliação porque o indivíduo não precisa ir ao estádio onde ocorre a partida para vê-la*; não fica a interpretar ou mesmo a imaginar o que o locutor estar a descrever ou a narrar, pode até mesmo confrontar as informações, caso o locutor se engane com algum lance, por exemplo: trocar os nomes dos jogadores etc. Com o passar dos anos, e com o aperfeiçoamento das tecnologias telecomunicativas, ampliou-se ainda mais as possibilidades de visão, pois mais câmeras de diferentes tipos foram incluídas no grande show que se tornou o futebol. Contudo, a perspectiva televisiva não deixa de ser uma redução, pois as transmissões buscaram o enquadramento visto de um ângulo que se assemelhasse ao de um torcedor presente num local privilegiado do estádio – e atualmente, no maior tempo de transmissão de um jogo, ainda se tem esse enquadramento. O que é evidentemente diferente, pois um torcedor presente pode vislumbrar muitos outros elementos que necessariamente não estejam no lance com a bola, como se consagrou em grande parte a transmissão televisiva. Enfim, uma observação empírica seria recomendável, ou para não se chegar a tanto, entreviste-se um espectador de uma partida, ele sem dúvida fará grandes distinções.
Acontece que com a transmissão dos jogos pela televisão, os olhares se multiplicaram a um ponto imponderável, o que expôs as vicissitudes das partidas, com especial ênfase no desempenho dos árbitros. Não que antes das transmissões televisionadas eles não errassem, contudo, nesse novo contexto, praticamente o mundo inteiro pode assistir às suas falhas. Soma-se a isso, com advento das técnicas e das tecnologias, as câmeras puderam focar lances que não são possíveis ao olho humano, por exemplo, a aproximação de imagens; some-se ainda as diversas perspectivas geradas por câmeras distribuídas pelo estádio - chega-se até mesmo a se ter uma minicâmera afixada no travessão do gol. Não demorou muito para que os torcedores, comentaristas, locutores e desportistas em geral começassem a cogitar a possibilidade de esse aparato tecnológico servir de auxílio aos árbitros.
As intenções são boas, porém tais mediadas podem descaracterizar um jogo já tão consagrado. Muitos argumentos são emersos para defesa de tal tese, entre os quais o de que com o auxílio dos vídeos, os árbitros poderiam observar seus erros e corrigi-los. Esse é um argumento de maior peso, visto que tem uma finalidade nobre, mas vale lembrar que um esporte como futebol tem uma tradição, e que o erro (imanente a todo ser humano) já faz parte do jogo, sem contar, claro, que as interrupções para averiguação de cada lance – creio que pelo menos os mais duvidosos – acabariam interferindo na dinâmica do jogo, tornando-o demasiadamente longo e descontínuo. Há os que questionam a idoneidade dos árbitros, e há realmente casos que confirmam tais denúncias, porém, vale lembrar que o esporte está alicerçado em uma organização hierárquica que inclui federações e uma legislação pertinente, ou seja, casos de irregularidades são devidamente tratados nas instituições que lhe são próprias, cabendo ainda, depois de esgotados todos os recursos dentro esfera desportiva, o acionamento da justiça comum.
Há os que argumentam de que as decisões ficam centralizadas apenas em um homem, mas isso não se verifica na prática, pois numa partida há um corpo de árbitros, um juiz e dois bandeirinhas, conta-se ainda com uma equipe reserva, que inclui um quarto árbitro. Todos têm funções específicas, mas em caso de dúvida em determinado lance, o juiz pode consultar seus auxiliares. Vale lembrar que o desempenho dos árbitros é acompanhado por uma comissão da federação de futebol. Em suma, durante um jogo, a palavra final é a do juiz, mas ele não toma decisões sozinho, e não às cegas.
Muitos outros argumentos que defendem a utilização de vídeos pelos árbitros poderiam ser elencados, contudo, os mais plausíveis e por isso mesmo os mais recorrentes não se sustentam quando confrontados por uma análise profunda. Para o arremate deste debate, pode-se dizer que o futebol não é um esporte de precisão, assim como os demais esportes coletivos, sua arbitragem está na dependência dos limites humanos, sejam éticos, físicos, psíquicos etc. Por que seria diferente? Todos os demais esportes coletivos não usufruem de vídeos para as decisões dos árbitros, qual o interesse em fazê-lo para o futebol? Vai ver que foi sua imensa propagação no mundo, no qual se apresentou como um espetáculo esfuziante e encantador, e que por isso há uma irresistível vontade em aperfeiçoá-lo. Mas foi assim, com suas limitações, sua natureza humana, que ele seduziu a maioria das pessoas - das gerações passadas às atuais -, aproximando nações, tornando este planeta mais redondo, como uma bola de futebol.
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*Devido ao conforto de se assistir a uma partida de futebol em sua própria residência, institui-se que, em muitos casos, jogos realizados nos estados da federação não seriam transmitidos ao vivo pela mídia televisiva daquele local.
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