Falar dos problemas da educação, sem dúvida, é coisa chata e repetitiva, pelo fato de serem óbvios e crônicos. Mas parece que nessa época de informação ainda prevalecem o senso comum e discursos desavergonhados que acabam por reforçar mitos, distorcendo realidades e disfarçando intenções. Muitas idéias, muitos mitos, já foram refutados, pelo menos dentro do meio acadêmico, onde foram amplamente debatidas e esmiuçados, em especial, numa época remota de pensamentos mais engajados socialmente – hoje vive-se o triunfo neoliberal, mesmo num governo dito de esquerda. Não quero me prolongar, pois meu intuito aqui é dar umas marteladas nos mitos que por mais óbvios e revogados que sejam, ainda assolam a cabeça de muitos, mormente os profissionais da educação, o que torna a realidade para esses profissionais muito confusa e que por muito leva a atitudes cínicas. Mas não nos alonguemos, pois.
MITO NÚMERO 1: “SOMENTE A EDUCAÇÃO TRANSFORMA A SOCIEDADE”
Esse mito é muito sedutor, chama logo a atenção dos mais sonhadores, aventureiros, incautos e sem dúvida, ingênuos. Ninguém discute que a educação não seja importante, é óbvio que ela é, mas não se pode atribuir-lhe poderes milagrosos, como o de transformar sozinha toda uma sociedade. Acreditou-se por muito tempo, e cheguei a ouvir ainda quando era criança (e ainda ouço), que com uma educação de qualidade conseguia-se todo o resto, ou seja, um povo bem educado teria mais consciência de seus direitos e os reivindicaria, assim teríamos uma melhor política, uma saúde de primeiro mundo e por aí vai.
Acontece que a educação é mais uma conseqüência do que um princípio gerador, ela é resultado também de uma postura sociopolítica. Professores que venham franciscanamente a se engajar estarão sozinhos, ilhados, impotentes diante de uma estrutura engessada, preguiçosa, atávica, cínica. Muitos se frustram em pouco tempo, pois não se cura uma doença combatendo apenas os seus sintomas. Para que haja realmente uma transformação numa sociedade é preciso que haja concomitantemente uma transformação em todos elementos da própria sociedade, senão é enxugar gelo. Eu explico e exemplifico: Não basta um pobre ter uma boa educação, é preciso que ele tenha uma boa saúde, moradia, segurança, lazer, trabalho, liberdade, direitos, justiça, enfim, tudo, estou falando ter tudo com qualidade.
O que parece óbvio também que todos esses elementos passam pela alçada política. Então, para se começar, é preciso que se tenha uma boa política pública, no seu sentido mais amplo, que venha a fortalecer o princípio de idoneidade das instituições, também o de presteza. Por isso Paulo Freire pregava o engajamento político, sabia ele (e tantos outros) que só o esmero numa sala de aula não é suficiente para uma transformação social.
Entenda-se, não estou aqui dizendo que a educação não tenha um papel importante nesse processo, tem e muito, mas chega de vê-la como uma panacéia desvairada. Quem quiser fazer algo pela educação tem que ter uma visão mais holística; e por incrível que pareça, dentro do próprio segmento educacional, há um enorme contingente de ciclopes míopes – e há muitos interesses para que permaneçam assim.
segunda-feira, 28 de março de 2011
domingo, 27 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
A Cadeira e o Fenômeno
Que coisa bonita é a cadeira vazia
Que nem é morte nem é vida
Que nem mesmo sua sombra é cadeira
Seria a luz que a circula, sua ausência?
Aquilo que nem é?
Uma sombra de um outro universo avesso? O mesmo.
##Alô!?## É da terrível Terra?##
Que coisa vazia é a cadeira bonita
Como te queriam na redoma de vidro
Que nem é morte nem é vida
Que nem mesmo sua sombra é cadeira
Seria a luz que a circula, sua ausência?
Aquilo que nem é?
Uma sombra de um outro universo avesso? O mesmo.
##Alô!?## É da terrível Terra?##
Que coisa vazia é a cadeira bonita
Como te queriam na redoma de vidro
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